A taxa de juro é o fator central de toda a economia - Sem Economiquês

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

A taxa de juro é o fator central de toda a economia


Ele está direto ou indiretamente ligado a sua vida cotidiana. Dependendo de qual ponta você está, você quer que ele seja maior, se estiver no lado oposto espera que ele seja menor. Numa economia moderna, a existência dele é totalmente inevitável. Sim, vamos falar sobre os juros e como ele afeta a sua vida e toda a economia. 
  
Na vida, sempre nos deparamos, mesmo que não percebamos, com um conceito básico: recursos são escassos. Isso significa que muitas vezes você precisa escolher entre uma coisa ou outra. Tudo isso é mais evidente quando se coloca o fator tempo. Você prefere algo hoje ou amanhã?  
  
Este conceito é conhecido como preferência temporal. Como uma regra geral, é comum o ser humano preferir um carro hoje, ao invés de um carro amanhã. Ele só abre mão de alguma coisa hoje para obtê-lo amanhã se de alguma forma for mais compensador para ele. 
  
Vamos usar o termo dinheiro. O que você prefere, ter cem reais hoje ou o mesmo cem reais daqui um ano? Provavelmente você respondeu que hoje. Isso acontece por que nós calculamos, muitas vezes sem perceber, que o futuro é incerto, o dinheiro pode sumir, você pode morrer e muitas outras situações podem ocorrer, fazendo com que você seja impedido de alcançar esse dinheiro no final do ano. Você só vai trocar o dinheiro de hoje por algum dinheiro no futuro se perceber que realmente vai valer a pena. Por exemplo, se ao invés dos cem reais iniciais, você receber um valor maior que esse. Isso pode ser chamado de juros. 
  
Se poupamos mais, precisamos consumir menos hoje e isso é denominado como uma “baixa preferência temporal”, porque você não se importa tanto em utilizar o bem ou produto hoje. Caso aconteça o inverso: poupamos menos e consumimos mais hoje, temos uma “preferência temporal alta”, porque você precisa muito utilizar ou consumir aquele bem ou produto hoje. 
  
Então, podemos concluir que os juros são definidos pelo quanto as pessoas estão poupando em uma sociedade, e essa poupança reflete a preferência temporal de toda essa sociedade. Para ser mais exato, em um mercado, isso determina a taxa de juros natural ou taxa de juros originaria. 
  
Antes que você me pergunte, os juros que usamos no dia a dia não é os juros natural, primeiro porque não usufruímos de um mercado realmente livre e segundo que existem outros fatores que afetam a chamada taxa de juros de mercado. 
  
Mas o que é a taxa de juros de mercado? Ela é a soma da taxa de juros natural, mais um prêmio de risco, mais um prêmio pela inflação, mais um prêmio de liquidez. Calma, fique tranquilo, vou explicar pra você. 
  
A taxa natural ou originaria, que já conhecemos, é aquela que é determinada pela poupança das pessoas.  
  
prêmio por risco, entenda como um bônus por um possível calote. Imagine que você vai emprestar um dinheiro para aquela pessoa que costumeiramente deve todo mundo, o famoso caloteiro, ele pode até comprovar que tem como pagar aquele empréstimo, mas devido ao histórico dele, você se sente mais seguro se cobrar um valor maior, para cobrir uma possível perda ou dor de cabeça em ir cobrar essa pessoa. 
  
A inflação, de forma genérica, é uma perda geral do poder de compra daquilo que você chama de dinheiro. Basicamente, se hoje o seu um real consegue comprar cinco pães ou quatro biscoitos, amanhã esse mesmo um real poderia comprar apenas três pães e dois biscoitos. A inflação é esse fenômeno que acontece com todos os produtos da sociedade. Agora imagine, se você sabe dessa possibilidade, se me emprestar algum dinheiro para ser pago no final do ano, faz sentido cobrar esse prêmio de inflação para suprir uma possível perda de poder de compra, certo? 
  
prêmio por liquidez, basicamente, é definido por quanto o poupador aceitaria para abrir mão do dinheiro de acesso fácil. Pense que ele poderia precisar daquele dinheiro porque o carro quebrou, e como emprestou o dinheiro não poderá usar, por isso é comum se cobrar um valor por isso. 
  
Certo, como um resumo, a taxa de juros pode ser entendida como uma razão (ou divisão) de troca entre os bens de hoje por bens no futuro. E isso o torna um dos “preços” ou “valores” mais importantes da economia, porque é ela que cria uma coordenação entre aqueles que querem poupar hoje para consumir amanhã, e aqueles que precisam consumir hoje para receber mais amanhã. Essa situação fica mais clara com um exemplo. Jonas recebe um salário fixo e não se interessa em aumentar seus gastos no início da vida, está preocupado com a velhice. Então, poupa boa parte daquilo que recebe. Para que ele aumente o dinheiro guardado, ele decide fazer empréstimos para Ricardo. Ricardo é uma pessoa que tem uma boa visão de negócio, entende de gestão e possui uma excelente ideia para produzir um produto. Mas Ricardo não dispõe do dinheiro hoje para investir no maquinário. Ele vai até Jonas, pega esse dinheiro emprestado, e promete pagar em um determinado tempo, quando já estiver recebendo pela venda dos produtos. Jonas aceita fazer esse empréstimo, estipulando uma taxa de prêmio ou juros, de acordo com o risco do negócio, da inflação e da liquidez no momento. 
  
Viu? É graças a poupança que é possível pessoas com preferencias temporais distintas se coordenarem para produzir algo. Talvez você tenha entendido, mas não consiga ver uma aplicação pratica desse conhecimento.  
  
No Brasil, costumeiramente a taxa de juros sempre foi alta e isso pode ser explicado por diversos motivos, riscos jurídicos, riscos econômicos, riscos políticos, preferencia temporal alta, pouca concorrência. Enfim, se falarmos de todos os problemas podemos ficar o vídeo todo só falando disso. Mas, entenda a consequência de uma taxa de juros alta. Se o juro é alto, poucas pessoas poderão pegar empréstimos para criar empreendimentos e negócios. Isso gera um atraso na economia, diminui a criação de empregos e por aí vai.  
  
Agora, a taxa de juros está baixíssima, a mais baixa da história do nosso país. Então isso é excelente, certo? Bem, não exatamente. A preferência temporal das pessoas não mudou, isso significa que elas não poupam mais hoje do que antes. A maior parte dos riscos não mudou ou, se mudou, foram mudanças irrelevantes. Isso significa que pessoas estão consumindo muito, e outras pessoas estão pegando muitos empréstimos para empreendimentos, isso gera uma descoordenação temporal. Isso significa que não tem gente poupando para o futuro, mas ainda assim estão sendo consumidos recursos do futuro. Talvez você esteja se perguntando como isso é possível. É por isso que Estados se preocupam em controlar o tipo de dinheiro que você usa. Essa atitude é perigosa, e reflete em crises, que nada mais são que empresas falindo porque seus produtos não são rentáveis.  
  
Para recapitular, para uma sociedade ou pais crescer economicamente, é necessário que haja poupança. Essa poupança alta faz com que os juros diminuam, isso gera investimentos, esses investimentos aumentam a produtividade do país, essa produtividade aumenta empregos, salários e melhora a qualidade de vida da galera. Isso é um crescimento sustentável.  
  
Apesar de algo extremamente comum na sociedade, o conceito de juros geralmente é pouco aprofundado. Conhecer o que é juros, e como ele é obtido na economia é muito importante para evitar falácias sobre manipulação de juros para fazer a economia melhorar, aquecer, pleno emprego ou o nome de manipulação que quiserem dar.  
  
Não se esqueça: “O objetivo de estudar economia não é adquirir um conjunto de respostas prontas para perguntas econômicas, mas aprender a evitar ser enganado pelos economistas.” Joan Robinson

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