Dinheiro e Inflação: PARTE 1 - Sem Economiquês

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domingo, 5 de abril de 2020

Dinheiro e Inflação: PARTE 1

Primeiramente, para podermos falar sobre dinheiro e inflação, precisamos ter a noção de que dinheiro não é uma criação do governo. O governo no máximo deturpou todo o seu significado a ponto de que as pessoas hoje em dia acreditam que papel é dinheiro.

Partindo disso, o dinheiro nada mais é uma consequência de uma cooperação social, que muitos chamam de divisão do trabalho, onde cada pessoa se especializa em um trabalho especifico e depois disso a troca de produtos entre si.

Agora imagine você, como um criador de cabra compraria 1 kg de trigo? Trocaria uma pata da cabra por esse quilo? Trocaria a cabra inteira por 20 kg de trigo?

Veja que com o aumento da complexidade dos mercados, as pessoas começaram a demandar por algum produto que pudesse ser universalmente aceito, tanto o vendedor de trigo quanto o vendedor de cabras deveriam aceitar esse produto. Esse produto deveria ter a capacidade de ser divisível (com ele você poderia trocar 1 kg de trigo ou uma cabra inteira ou um pouco de cada coisa). Além disso, esse produto deveria ter alguma escassez (sua quantidade ser limitada no mundo), não faria sentido trocar produtos por areia elas são facilmente encontradas e por sua vez não possuem valor intrínseco.

Milhares de anos se passaram e outros milhares produtos foram sendo testados em diversas civilizações, para que as pessoas escolhessem o ouro como um meio de troca universal (produto que as pessoas aceitavam para comprar e vender outros produtos), a prata se tornou um coadjuvante, pois representava um valor menor e era um complemento para aquisições de pequenas quantidades de produtos, ou até mesmo a possibilitavam a compra de produtos de menor preço.

Conhecendo um pouco o que é moeda (ou dinheiro) é possível explicar o que de fato é uma inflação. Diferentemente do que o mainstream da economia diz, ou o que jornais dizem. Inflação nada mais é que um aumento na oferta monetária. Calma, vou explicar:

Imaginem uma ilha, com apenas dois habitantes João e Jonas. Dois excelentes trabalhadores em suas respectivas áreas. Joao era construtor de cabanas e Jonas um excelente artesão de redes de pesca.

Joao apesar de ter um excelente lar para morar, passava algumas noites com fome, pois não era um bom pescador. Enquanto Jonas tinha fartura de comida, porem dormia a mercê das intempéries da ilha. Apesar de um precisar do trabalho especifico do outro, eles perceberam que trocar o fruto do seu trabalho diretamente não faria muito sentido devido ao preço que cada um achava que valia seu produto. Logo eles decidem trocar seus produtos por pequenas pedras brilhantes, pois gostavam de seu brilho. Cada um possuía duas pedras, e elas eram muito difíceis de serem encontradas na ilha.

Portanto note que o “mercado” da ilha possuía apenas dois produtos: cabana e rede. E o total de meios de troca (moeda) dessa ilha era quatro pedras preciosas. Logo, é possível perceber que se a cabana valesse duas pedras e a rede uma pedra, ambos teriam uma limitação do que comprar (recursos no mundo são escassos). Pense agora, que por algum motivo, Joao e Jonas encontram um baú com mais quatro pedras brilhantes no centro dessa ilha, e dividem as pedras entre eles. A quantidade de pedra desta “Economia” agora são oito pedras. Talvez alguém um pouco desatento possa pensar que nossos náufragos possam comprar o dobro de mercadorias que podiam antes. Porém a capacidade de produção de cada um não mudou, nem mesmo a quantidade de produtos que eles ofertam mudou, a única coisa que se alterou foi à quantidade de oferta monetária (pedras brilhantes). O que vai acontecer agora? Como se possui mais pedras brilhantes, elas valem menos (são menos escassas) e consequentemente o preço da cabana que antes valia duas pedras agora vale quatro. A rede que antes custava uma pedra, agora vale três.

Esse é exatamente a representação de inflação. As coisas não sobem de preço simplesmente, o que ocorre é que aquele meio de troca (dinheiro, moeda, pedra brilhante) perde valor.

A inflação é um fenômeno econômico muito comum nos nossos dias, porém engana-se quem acredita que ela é recente.

Diversos relatos históricos mostram que o império romano derretia moedas de ouro e forjava novas moedas com mais cobre, porém mantinham como se ali tivesse a mesma quantidade de ouro. Levou um tempo, mas o povo começou a notar, e seu valor foi diminuindo (inflação crescendo). Alguns historiadores colocam como um dos fatores para a queda do grande império de Roma exatamente esse pico de inflação e suas consequências.

O fantasma da inflação continua atormentando diversas nações ao redor do mundo, desde o império romano até os dias de hoje.

Mas o que os políticos pensam sobre esse assunto?
E os economistas será que concordam?
Veja no próximo artigo da série.


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